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domingo, 17 de julho de 2011

O BRASIL DOS CONFORMISTAS

http://www.bahianoticias.com.br/noticias/noticia/2011/07/17/97548,coluna-a-tarde-o-brasil-dos-conformistas.html#


COLUNA A TARDE: O BRASIL DOS CONFORMISTAS

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De repente, provocado talvez pelo correspondente do jornal espanhol “El País”, Juan Arias, que se interroga a razão de os brasileiros não se indignarem diante do quadro de corrupção deslavada que se espraia no Brasil, chegam-me indagações semelhantes. Partiu do jornalista certamente referenciando-se no que acontece na Espanha, mas por outro motivo: crise econômica. Os espanhóis estão realizando movimentos denominados “Marcha dos Indignados”, e uma delas, que partiu de Valencia, deve chegar a Madrid no próximo dia 23.

Aqui, a República dá sinais de apodrecimento moral e ético. Um processo que não começou agora, mas, sim, de há muito, de modo que se transformou em lugar comum imaginar-se que a corrupção está enraizada nas origens do povo brasileiro. Não é verdade. É certo, porém, que ganhou força na última década. A “Marcha dos Indignados” espanhola é reflexo da primavera árabe, das revoluções que eclodiram no Oriente Médio que desestabilizaram governos, e derrubaram alguns instalado há décadas, com estruturas ditatoriais.

Razões, portanto, diferentes do que poderia acontecer aqui se os brasileiros mergulhassem, para repetir, em dois acontecimentos marcantes que acentuaram a força da cidadania. O movimento “Diretas Já,” da primeira metade dos anos 80, e dos “Caras Pintadas” que tomaram as ruas e praças do País, de norte a sul. O último forçou o Congresso a apear do poder, pelo impeachment, Fernando Collor de Melo, primeiro presidente eleito após golpe de 1964. 

Também me pergunto por que este País não explode em indignação, assim como o faz a escritora Eliana Dumet, em nota que publico abaixo. O conformismo não combina com “brasileiros corações”, como está no hino ao Dois de Julho, transformado por Wagner em hino da Bahia.

 A presidente Dilma está sitiada pelos corruptos. O poder que enfeixa - e que tem a obrigação juramentada de zelar- está posto à prova a partir da coalizão de partidos que a sustenta no Congresso Nacional. Coalizão que Dilma teme. Até o diretor afastado do Dnit, Luiz Antonio Pagot, que está em férias até o dia 4 de agosto, afrontou-a dizendo que não está demitido. Seu padrinho, o senador Blairo Maggi (PR-MT) passou então a cobrar da presidente uma definição. Numa clara alusão a ela, disse: "Se querem mandar o cara embora, então mandem logo. O que eu não aceito é que vençam os 30 dias de férias dele, não apurem as denúncias ou não encontrem nada que o incrimine, e o mandem embora assim mesmo". No fundo o senador tem razão. Por que Dilma não diz de logo que ele está fora?

 Enquanto tal não acontece, a presidente recepciona com um coquetel os líderes partidários.

Homenagem? Indiferentes à corrupção, o PT e o PMDB comemoram com um bolo de noiva, encimando por dois bonequinhos, o “casamento” das duas legendas que têm objetivos semelhantes: lambuzarem-se nas arcas do tesouro.
Em palavras mais claras: além da corrupção, chalaça. Enquanto o mundo assiste a acontecimentos absolutamente imprevisíveis e inimagináveis, como o da primavera árabe detonada a partir da rede social, na internet, aqui os brasileiros tomam conhecimento da gatunagem aberta na administração pública patrocinada pelos políticos em parceria com empreiteiros. Em absoluto silêncio. Os espanhóis realizam a “Marcha dos Indignados” e o jornalista do “El País” se espanta com a quietude do nosso povo imerso em mutismo e conformismo cristão. Pior: obsequiando corruptos como autoridades republicanas.

Da escritora Eliana Dumet recebo o e-mail que se segue:

 “Quero compartilhar com você um pensamento que vem tomando conta de mim, a cada dia, a cada momento que um novo assalto ocorre no meu bolso através dos políticos que aí estão. Fiquei pensando: o que posso fazer? Qual a minha parte? Este negócio de que o instrumento é o voto não funciona muito, porque ficou difícil escolher alguém. Não que não exista, mas são tão poucos!!!
 

Resta uma grande campanha (muitas já têm sido feitas, mas não alcançam o povão) pilotada pela imprensa sem participação de nenhum partido político, nenhum político, nenhum governante.

Autoridade só o povo e a imprensa. A idéia é começar a acabar com este negócio velho e falido de esquerda e direta, socialismo e liberalismo etc. e centrar as posições em corrupto X não corrupto e eficiente e eficaz X ineficiente e ineficaz. 

O ficha limpa parece que não vai pegar. Três deles voltaram esta semana ao Congresso. Na minha fantasia, vejo a mobilização de entidades mobilizando, como a ABI e outros organismos de comunicação (alijados os ligados a qualquer tipo de maracutaia) e com uma agência de propaganda, também íntegra,  informando e convocando os brasileiros de todos os cantos e grotões sobre as questões básicas que eles não sabem. Tipo o auxílio-reclusão que é, em média, de R586,51 e o salário mínimo R$ 545,00. O custo médio de um presídio em MG é de R$1,7 mil e o custo médio de um estudante em ensino fundamental é, em média, de R$ 149,05.Ou seja, o Brasil incentiva a criminalidade.

 A tão desejada reforma política não pode atender aos interesses dos políticos, mas do Brasil. Assim, seria necessário diminuir o número de senadores, deputados estaduais e federais e vereadores. E acabar com a imunidade parlamentar. O STJ e STF não podem mais ter seus representantes nomeados pelo presidente da República para ficarem dizendo “amém” a toda falcatrua. Teriam que ser nomeados por um colegiado levando em conta a notoriedade de cada integrante, conhecimento jurídico e, sobretudo, honestidade.
 

Nos preços de qualquer coisa que o brasileiro vá comprar precisa estar dito quanto é que se está pagando de imposto, qualquer que seja. Isto é um sonho, mas se conseguirmos mobilizar grande parte da população pode acontecer. Algo precisa ser feito. Se, por acaso, a idéia, ou qualquer outra no gênero, vier a tomar corpo, conte comigo. Estou a postos. Eliana Dumet.”

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