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terça-feira, 19 de julho de 2011

Ponte Salvador Ilha de Itaparica; Evolução ou Degradação?

http://www.acaocidade.com/2011/07/ponte-salvador-ilha-de-itaparica.html



Ponte Salvador Ilha de Itaparica; Evolução ou Degradação?

SEGUNDA-FEIRA, 18 DE JULHO DE 2011 

São séculos de História que envolve a Bahia de todos os Santos. Neste véu de natureza observada desde os primeiros habitantes aos “primeiros” viajantes; a “entrada” do Brasil e da Bahia continua bela, mas ameaçada.
Há tempos a discussão, sobre uma ponte que ligasse Salvador a Ilha de Itaparica, é noticia entre os habitantes, claro que com altos e baixos no grau das noticias do momento. Recentemente podemos acompanhar as notas divulgadas sobre a tão sonhada construção da ponte, mas “obstáculos” por um lado obscuros, por outros claro até de mais, viram pontos mais que essenciais no dialogo que deveria existir com a população sobre a obra. Claro que uma ponte ligando duas zonas urbanas; uma a capital do Estado e a outra uma importante ilha, na verdade a maior ilha marítima do Brasil, traria pontos positivos, e acabaria com tantos outros problemas existentes nesse trecho, ainda dependente do sucateado, mas não acabado Ferry boat e a ponte do Funil, que teria a companhia de uma nova ponte; segundo o secretario estadual de infra-estrutura, João Leão em entrevista para o Jornal A Tarde em janeiro de 2010.

A ponte teria 13 km, e já desperta fácil suspeita se vingaria ou não, afinal o metrô da cidade já esta virando “adolescente”, e até hoje não saiu dos 6 km, um dos maiores exemplos do mau uso do dinheiro publico, irresponsabilidade administrativa e vergonha de toda a população, sendo quase que impossível a não comparação entre as duas obras que no momento correspondem a um sonho; no caso do metrô, incompleto e no caso da ponte, nos projetos. A Odebrecht saiu na frente quando há 30 anos desenhou um projeto de uma ponte que ligaria Salvador/ Itaparica, mas não foi levado a diante pelo governo. Importante lembrar que hoje a própria construtora entre outras como a OAS, desempenham grande atuação junto ao governo Jaques Wagner.

O projeto não envolve somente a ponte, mas um conjunto de obras viárias que ligaria rodovias importantes como a BR-242, tendo como objetivo melhorar a entrada e saída da capital baiana, praticamente restrita a outra importante BR a 324. Os custos previstos ficam na faixa dos 1,5 bilhões, se compararmos com o sistema Ferry-boat, poder-se-ia comprar aproximadamente 40 ferries do modelo mais novo conhecido pelo nome de Ivete Sangalo, que custou R$ 35 milhões. Na realidade em que vivemos, tais valores poderiam sim ser aplicados em necessidades maiores.

Como já mencionado vários pontos entram na discussão sobre a construção da ponte, entre o progresso e o atraso, ainda veremos bastante esse assunto tão polêmico. O escritor João Ubaldo Ribeiro, acredita que para a Ilha essa radical aproximação com a capital representaria um risco a esse paraíso ecológico, que já sofre bastante com o avanço imobiliário e a violência. João Ubaldo é o responsável pela criação de um abaixo assinado que conta com a assinatura de diversas pessoas, intitulado: “Itaparica: ainda não é Adeus”. No abaixo assinado, Ubaldo aponta vários fatores de extrema importância, sobre os problemas que a ilha enfrenta e passaria a enfrentar com a construção da ponte: “Conheço esse progresso. É o progresso que acabou com o comércio local; que extinguiu os saveiros que faziam cabotagem no Recôncavo; que ao fim dos saveiros juntou o desaparecimento dos marinheiros, dos carpinas, dos fabricantes de velas e toda a economia em torno deles”. Fantástica a observação do escritor, no tratar do comercio local, sendo exemplo os importantes saveiros, que hoje se resumem a poucas raridades em uso. Outro ponto tocado é: “A cultura e a especificidade locais são violentadas e prostituídas e o progresso chega através do abastardamento de toda a verdadeira riqueza das populações assim atingidas”, mais do que um fator, é uma realidade vista em toda a Bahia, que poderia sim ser agravada com a ponte.

Fato, claro e mais que evidente, é a triste situação da Ilha hoje.

Assim como outros pontos turísticos da Bahia, a aparência inicial e atual da bela ilha é de desorganização; seja pelo transito mal organizado, pelo lixo ou por outros problemas, a Ilha hoje é um amontoado de resorts e condomínios de veranistas, podendo piorar, ou mesmo virar uma “Miami de pobre”, como escrito no abaixo assinado já mencionado. Na ilha ainda podemos encontrar muito verde, matas ainda densas, com grande riqueza em sua fauna e flora; paisagens tão belas, que da orgulho em dizer que a ilha esta na Bahia. Um recanto do nosso estado que podemos encontrar, em alguns lugares ainda intocáveis, belos exemplos do “natural” de nossa terra. Tais riquezas podem simplesmente desaparecer ou mesmo virar uma grande propriedade, com a construção da ponte; a própria construtora OAS, admitiu que pretende construir condomínios fechados no centro da ilha. Tal situação também pode ser comparada ao ocorrido em bairros da cidade de Salvador, em que antes tínhamos áreas verdes com arvores seculares, e vida animal presente. Ate o grande avanço urbano, e a especulação imobiliária que modificou a natureza existente, trazendo os grandes edifícios; por exemplo, o próprio corredor da Vitoria e sua escarpa cercada de verde e animais, como diziam os visitantes que pelo mar passavam e avistavam de seus barcos aquela linda passagem. Hoje a realidade é outra, grandes prédios e seus píeres dominam a encosta onde antes reinava a mata atlântica.

É obvio que tais medidas usadas em nome do progresso não podem ser simplesmente implantadas, sem o dialogo com a população, muito menos direcionadas apenas a determinadas elites do mercado. Construir uma ponte, sem ser feito pesquisas de impacto ambiental e histórico na região é um enorme erro, e tais projetos estão infelizmente direcionados se não corrigidos imediatamente ao fracasso, levando ao desequilíbrio de um lugar ainda tão belo como a Ilha de Itaparica e a Bahia de todos os Santos; que 1949 recebeu a visita do escritor Albert Camus, escrevendo o seguinte: “Prefiro essa baía à do Rio, muito espetacular para o meu gosto. Esta, pelo menos, tem uma medida e uma poesia”. A pergunta que fica é, até quando as medidas e o ar do que restou de poesia ainda existirá na Bahia de todos os Santos, com ponte ou não a atenção sobre o lugar deve sempre existir.Informações Itaparica Online

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