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terça-feira, 16 de agosto de 2011

REPASSANDO...


Se escola fosse estádio e educação 
fosse Copa. Por Jorge PortugalPassei, nesses últimos dias, meu olhar 
pelo noticiário nacional e não dá outra: copa do 
mundo, construção de estádios, ampliação de 
aeroportos, modernização dos meios de 
transportes, um frenesi em torno do tema 
que domina mentes e corações de dez entre 
dez brasileiros.
Há semanas, o todo-poderoso do 
futebol mundial ousou desconfiar de nossa 
capacidade de entregar o “circo da copa” 
em tempo hábil para a realização do evento, 
e deve ter recebido pancada de todos 
os lados pois, imediatamente, retratou-se e 
até elogiou publicamente o ritmo das obras.
Fiquei pensando: já imaginaram se um terço 
desse vigor cívico-esportivo fosse canalizado 
para melhorar nosso ensino público? É… pois 
se todo mundo acha que reside aí nossa falha 
fundamental, nosso pecado social de fundo, que
 compromete todo o futuro e a própria 
sustentabilidade de nossa condição de BRIC, por 
que não um esforço nacional pela educação pública 
de qualidade igual ao que despendemos para 
preparar a Copa do Mundo?
E olhe que nem precisaria ser tanto! 
Lembrei-me, incontinenti, que o educador 
Cristovam Buarque, ex-ministro da Educação e 
hoje senador da República, encaminhou ao
 Senado dois projetoscom o condão de 
fazer as coisas nessa área ganharem 
velocidade de lebre: um deles prevê
 simplesmente a federalização do 
ensino público, ou seja, nosso ensino 
básico passaria a ser responsabilidade 
da União, com professores, coordenadores 
e corpo administrativo tendo seus planos de 
carreira e recebendo salários compatíveis 
com os de funcionários do Banco do Brasil ou 
da Caixa Econômica Federal. Que tal? Não é 
valorizar essa classe estratégica ao nosso 
crescimento o desejo de todos que amamos o Brasil? 
O projeto está lá… parado, quieto, na gaveta
 de algum relator.
outro projeto, do mesmo Cristovam, é uma
 verdadeira “bomba do bem”. Leiam com atenção: ele, o
 projeto, prevê que “daqui a sete anos, todos os 
detentores de cargo público, do vereador ao presidente 
da República serão obrigados a matricular seus filhos 
na rede pública de ensino”. E então? Já imaginaram
 o esforço que deputados (estaduais e federais), senadores e 
governadores não fariam para melhorar nossas 
escolas, sabendo que seus filhos, netos, iriam
 estudar nelas daqui a sete anos? Pois bem, esse
 projeto está adormecido na gaveta do senador Antônio
 Carlos Valladares, de Sergipe, seu relator. E não anda. 
E ninguém sabe dele.
Desafio ao leitor: você é capaz de, daí do seu
 conforto, concordando com os projetos, pegar
 o seu computador e passar um e-mail para o 
senador Valadares
(antoniocarlosvaladares@senador.gov.br) pedindo
 que ele desengavete essa “bomba do bem”? É um ato
 cívico simples. Pela educação. Porque pela Copa já
 estamos fazendo muito mais.
Jorge Portugal é educador, poeta e apresentador
 de TV. Idealizou e apresenta o programa 
“Tô Sabendo”, da TV Brasil.
***************************

Abaixo segue os termos do meu e-mail. 
Para facilitar e agilizar, pode
 copiá-lo, se for o caso...
Prezado Senador,
Assunto: Projeto "Bomba do Bem"
Solicitamos que seja desengavetado o projeto denominado
 pelos educadores deste País como “bomba do bem”.
Estamos ávidos por uma educação de qualidade, 
onde o ensino público seja um exemplo para todos.

Vamos, Senador, caminhar juntos para a melhoria do
 nível de nossas escolas públicas? Dê, por favor, o
 primeiro passo, desengavete o projeto do
 Senador Cristovam Buarque. Escola pública
 de qualidade já, para todos os brasileiros, inclusive
 para os seus familiares e de todos os políticos deste País.
("
o projeto, prevê que daqui a sete anos, todos os
 detentores de cargo público, do vereador ao 
presidente da República serão obrigados a matricular 
seus filhos na rede pública de ensino”). 

Cordialmente,

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