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sábado, 1 de outubro de 2011

Deficientes tentam driblar obstáculos nas ruas de Salvador


Eduardo Martins / AG. A TARDE
O cadeirante Wilson Cruz precisa de paciência para superar as dificuldades de acesso em Salvador
O cadeirante Wilson Cruz precisa de paciência para superar as dificuldades de acesso em Salvador
Automóveis estacionados na calçada e passeios esburacados. Esses são alguns dos vários obstáculos enfrentados diariamente pelo cadeirante Wilson Cruz, 39 anos, ao sair do seu local de trabalho, a ong Vida Brasil, na rua da Mouraria, no Centro, com destino à Estação da Lapa.
Atingido por bala perdida há 22 anos, o técnico administrativo diz que sua rotina é cruel. A rua da Mouraria é pavimentada de paralelepípedos e as calçadas se alternam entre pedras portuguesas, buracos e azulejos, colocados por lojistas para decorar a entrada dos estabelecimentos.
acesso à Lapa ao lado do Colégio Central é o novo desafio para Wilson. “Aqui não dá para descer. No outro lado não tem rampa e a escada rolante vive quebrada”, lamenta. Vendo sua cadeira de rodas trepidar e temendo que o passeio irregular danifique o equipamento, Wilson segue pela pista da Avenida Joana Angélica até chegar a Rua 24 de Fevereiro, ao lado da Universidade Católica.
Já na Estação da Lapa, ele desce uma longa e  recém construída rampa de acesso, escura, repleta de fezes, urina e lixo. “Essa é a rotina dos cadeirantes aqui no Centro. Imagine como não é na periferia?, indaga ele, reforçando que os 20 minutos gastos no percurso seriam reduzidos a cinco, se  o Centro da cidade fosse acessibilizado.
Assim como Wilson,  outras 512 mil pessoas têm alguma deficiência ou mobilidade reduzida em Salvador, de acordo com o último Censo com esse recorte, feito em 2000 pelo IBGE. O Censo de 2010 será divulgado em dezembro, mas a presidente da Associação Baiana de Deficientes Físicos (Abadef), Luiza Câmera, acredita  que passados quase onze anos “os números cheguem a 600 mil. Com os acidentes de trânsito e a violência urbana, esse número se multiplica a cada dia porque quando não há óbito deixa sequelas irreversíveis”, diz.
Ação Civil - Passados quase sete anos da regulamentação da Lei de Acessibilidade (Decreto Federal 5.296/2004) – que prevê que as adaptações em prédios públicos e privados fossem implantadas até julho de 2007 em todo o País, com o objetivo de atender às pessoas com deficiência motora ou sensorial – poucas ações foram adotadas por parte das autoridades visando o cumprimento da legislação.
Cabe a prefeitura, por exemplo, a construção de pistas táteis e a instalação de semáforos sonorizados em toda a cidade. Como isso não vem sendo feito, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) moveu uma ação civil, em 2008, contra o município, mas a prefeitura  recorreu da decisão no Supremo no ano passado, explica a autora da ação,  a promotora  Silvana Almeida.

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