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domingo, 16 de outubro de 2011

Um ano após angustia

http://www.consuladosocial.com.br/noticias/um-ano-apos-resgate-mineiros-do-chile-recebem-r-938-por-mes-e-aguardam-indenizacao/


Um ano após resgate, mineiros do Chile recebem R$ 938 por mês e aguardam indenização

Às 00h10 do dia 13 de outubro de 2010, a cápsula Fênix 2 trazia à superfície o primeiro dos 33 trabalhadores que haviam ficado mais de dois meses presos a 622 metros de profundidade, dentro de uma mina perdida no meio do deserto do Atacama, no Chile. Esse parecia o início do fim do drama. Mas a realidade, um ano depois, mostra que alguns milagres têm data de validade, mesmo aqueles mais famosos.
Florêncio Ávalos, capataz e segundo na hierarquia da mina, foi o primeiro a rever as luzes – ainda que artificiais, já que era de noite – depois de um confinamento que, quase inacreditavelmente, não custou uma vida sequer. O último dos trabalhadores a chegar à segurança foi justamente o líder do grupo, Luis Urzúa, às 21h55 do dia 13 de outubro do ano passado. Leia mais
A fama imediata dos mineiros chilenos durou quase o mesmo tempo do confinamento. O resgate, acompanhado ao vivo por milhões de pessoas ao redor do mundo, alçou os trabalhadores à condição de celebridades. Mas, um ano depois, resta pouco glamour. Sobram traumas e lembranças ruins vindas da mina San José, que desmoronou no dia 5 de agosto.
Desespero, pensamentos de morte e a possibilidade do canibalismo assolaram os mineiros, como revelou recentemente Samual Ávalos, um dos resgatados, à TV chilena.
- Era uma questão de quem cairia primeiro. Era nisso que pensávamos, em quem cairia primeiro. Os outros iam chegar ali, como animais.
Comer os companheiros mortos. A possibilidade também passou pela cabeça de Mario Sepúlveda, que relatou a experiência ao jornalista britânico Jonathan Franklin, do jornal The Guardian.
- Com ou sem comida, eu tinha que sair dali. Tinha que pensar em qual mineiro ia cair primeiro e comecei a imaginar como iria comê-lo.
Dos 33 mineiros resgatados, 14 recebem uma pensão de R$ 938 (US$ 530) por mês por terem sido colocados “em situação de saúde que os deixa inválidos para o trabalho”, de acordo com comunicado do governo.
Todos eles, no entanto, ainda aguardam a conclusão de um processo milionário contra o Serviço Nacional de Geologia e Minas do Chile, que em tese era responsável por garantir a segurança da mina San José.
Para Juan Carlos Aguilar, a ação judicial, mais do que compensação financeira, deve trazer justiça.
- O julgamento é para que o que aconteceu nunca volte a se repetir.
Para um morador de Copiapó entrevistado pelo site Euronews, a recompensa em forma de dinheiro não é suficiente.
- Eles foram esquecidos. Depois de tudo que passaram, merecem mais apoio.
Ainda assim, algumas iniciativas tentam manter viva a memória do acidente e do resgate. No início de outubro, o Museo de Colchagua, na cidade de Santa Cruz, inaugurou uma mostra temática sobre os 33 mineiros, com fotos, artefatos e o martelo pintado de vermelho que trouxe das profundezas mensagem que os familiares dos trabalhadores mais aguardavam.
- Estamos bem, no refúgio, todos os 33.
Ainda que a fama tenha sido breve para a maioria dos trabalhadores, alguns deles ainda colhem os frutos do resgate milagroso.
Edison Peña, que é fã da lenda do rock Elvis Presley, participou da maratona de Nova York (terminou a prova em 5h50m), deu entrevista para David Letterman e subiu ao palco em vários shows nos Estados Unidos.
Sepúlveda, o mesmo que imaginou como comeria os companheiros mortos, hoje ganha dinheiro dando palestras motivacionais.
Outros dos resgatados negociaram seus depoimentos com produtores de Hollywood, que, é claro, já trabalham nos filmes que recontarão a história.
A primeira grande produção, conduzida por Mike Medavoy, deve chegar às telas no ano que vem. Para os mineiros, é mais uma chance de contar ao mundo a história do dramático resgate. O que, por um lado, representa um alívio financeiro, mas, por outro, pode reavivar os traumas dos mais de dois meses debaixo da terra.

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