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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Repassando - A Bahia, o governador e a greve dos policiais



 
A Bahia, o governador e a greve dos policiais

Lembro-me quando o então deputado Jacques Wagner (PT-BA), opositor ferrenho ao grupo do já falecido Antônio Carlos Magalhães (que Deus o tenha bem distante de nós - a Bahia agradece -), aproveitava-se de discursos políticos recheados de acusações, farpas, desmoralizações e tantas outras formas de atacar o grupo de ACM, de certo modo, apresentando-se como alternativa de mudanças no Estado.
O povo baiano, já cansado de ver a Bahia liderada pelo um mesmo grupo por mais de três décadas e que sempre se utilizava dos mesmos métodos politiqueiros, então resolveu mudar... Até ai tudo bem.
Na verdade, estaria tudo bem se não tivéssemos trocado seis por meia dúzia ao elegermos um governador que, passados mais de 4 anos no poder, percebe-se que é mais um político arrivista parlapatão que só queria o poder e, infelizmente, conseguiu. Pois, o nosso (de vocês) atual governador utiliza-se dos mesmos métodos despóticos que o grupo anterior utilizava para governar a Bahia e que ele tanto simulava combater.
A história é a mesma de sempre: “não negocio com grevista, pois o governo está aberto a negociações.” E nesta falácia toda, que mais parece conversa para boi dormir onde as negociações só beneficiam um lado, o atual governador vai deixando de dar aumento digno aos servidores públicos, descumprindo o que determina a lei (lembrem-se da URV), deixando a Bahia em uma situação lamentável. Mas, nas propagandas milionárias que o governo gasta (por que não sai do bolso do governador) para passar a ideia de uma Bahia “quase perfeita”, os baianos parecem que estão iguais a Alice: vivendo no país das maravilhas, pelo menos é assim que o governador quer que pensemos.
A greve dos policiais na Bahia, embora tenha causado transtornos lamentáveis à população, pelo menos tem servido de lição para mostrar aos baianos e às baianas que o nosso Estado está muito longe de ser essa maravilha que o governador tenta passar para a população, principalmente na questão da segurança pública.
Não estou aqui para defender atos de vandalismo como os que vêm ocorrendo no Estado, mas também não podemos aceitar, enquanto cidadãos e cidadãs, que este governador que tanto fez apologia às greves “na história deste país” e que investe milhões de dinheiro em propagandas do governo e deixa a saúde, a segurança, a educação em estado precário de abandono insista em utilizar-se deste discurso de falso moralismo e deixe de resolver os problemas emergenciais que o Estado tanto carece. Só para lembrar, governador, a democracia também se faz com greve, pois ela é um instrumento assegurado por lei. Portanto, o senhor precisa trabalhar e mostrar para o que veio.
O governador adora lembrar que a Constituição Federal proíbe greve dos policiais, mas esquece que esta mesma Constituição determinar que sejam investidos pelo menos 10% do PIB na educação e sabemos que não se investe nem 7%, determina, também, que é dever do Estado assegurar saúde de qualidade para todos os cidadãos e a todo o momento vivenciamos pessoas morrendo nos hospitais na fila de espera, determina como dever do Estado zelar pela segurança dos cidadãos e as estatísticas mostram elevados números de homicídios, latrocínios, furtos a cada final de semana na Bahia.
Só para lembrar, a Constituição prevê que todos somos iguais perante a lei, quando na verdade sabemos que, na prática, a lei de políticos e empresários é diferente da  lei de pobre, principalmente se este pobre for negro da periferia. Então, governador, será que o senhor esqueceu de folhear as outras páginas da Constituição?

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