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domingo, 22 de abril de 2012

Que legado?

http://www.bahia247.com.br/pt/bahia247/salvador/7788/Que-legado.htm


GESTORES PÚBLICOS GARANTEM QUE O MAIS IMPORTANTE DE REALIZAR A COPA DAS CONFEDERAÇÕES E O MUNDIAL EM SALVADOR SERÁ O LEGADO DESSES EVENTOS. O CENÁRIO QUE SE DESENHA MOSTRA QUE COLHEREMOS MUITO POUCO

18 do 04 de 2012 às 11:01
Victor Longo_Bahia 247
A greve dos trabalhadores da Construção Pesada, entre eles os que estão erguendo a Arena Fonte Nova, encerrou nesta manhã e deixou por sete dias estacionada a construção do estádio. A paralisação aconteceu devido à  campanha salarial da categoria cuja data base é 1º de março. Sindicalistas negociam a interrupção da greve em todo estado e exigem 13% de reajusta salarial, mas o patronato aceitou ceder apenas 10%.
Mesmo com essas intempéries, é provável que a Arena Fonte Nova seja entregue em dia, até o final deste ano, como previsto no calendário da Copa. Um dos mais adiantados do país, o estádio “multiuso” deverá ser, no entanto, um dos únicos legados deixados pela Copa do Mundo em Salvador. Pelo andar da carruagem, Salvador mais parece seguir o caminho das cidades sul-africanas, que se atolaram em dívidas em 2010, com a realização do Mundial naquele país, do que o bom exemplo de Barcelona, na Espanha, cidade que colheu bons frutos da Copa do Mundo.
Enquanto a rapidez da construção Fonte Nova surpreende moradores da cidade que passam por lá diariamente, outros quesitos como qualificação dos trabalhadores, treinamento do trade turístico e mobilidade urbana permanecem empacados. Em outras palavras, o tal legado poderá se resumir a obras e projetos com início e meio, mas sem fim: ou seja, muitas dívidas para a cidade e poucos resultados práticos para a população.
Mobilidade
Enquanto os cursos para profissionais como taxistas ministrados pelo Sebrae em parceria com o governo do Estado limitam-se ao ensino de inglês e espanhol instrumentais, insuficiente para manter diálogos completos, a mobilidade urbana anda de mal a pior. Cogita-se, para resolver o problema, decretar feriado nos dias de jogos da Copa do Mundo na cidade. Questiona-se: e depois?
Não há bairros da cidade que escapem aos congestionamentos diários nos horários de maior movimento. Alguns lugares, como a Avenida Manoel Dias da Silva (Pituba), a Avenida Paralela, a Mario Leal Ferreira (Bonocô), Oswaldo Cruz (Rio Vermelho) e as imediações do Shopping Iguatemi, já não escolhem horário para engarrafar.
As divergências sobre a inauguração da linha 1 do metrô, de 6 quilômetros, ainda em 2012 já se tornou, em ano eleitoral, uma questão de honra para o prefeito João Henrique (PP). O mesmo que passou oito anos à frente do Palácio Thomé de Souza e foi incapaz de fazer os trens rodarem, mesmo depois de mais de R$ 1 bilhão gastos. Caso ande antes da inauguração do metrô da Paralela, terá de funcionar com subsídios da Prefeitura, o que se traduz em mais endividamento para um órgão que já perdeu sua capacidade de endividar-se há anos.
Por sua vez, o metrô da Paralela, a linha 2, terá 22 quilômetros, mas nem começou a sair do papel. O governo federal hesita em liberar a verba antes do funcionamento da linha 1, o que agrava a situação. O tempo vai passando e a impressão que se tem é que a previsão dos céticos contrários ao Mundial está se cumprindo. Uma vez mais, a população de Salvador é quem sairá perdendo.
Arena
Ou ganhará pouco: um novo estádio com espaço para shows, feiras e até um shopping Center. Algo que é bem vindo para uma cidade carente de um local digno para apresentações de peso, mas quase nada para quem sonha com benefícios passíveis de serem chamados de legado.
Enquanto isso, capitais como Belo Horizonte, em Minas Gerais, que optaram pelo moda de transporte Bus Rapid Transit (BRT), ônibus em linhas exclusivas, já se transformaram em verdadeiros canteiros de obras. Além do novo Mineirão, novas vias e novos hotéis já estão sendo construídos na parte central da cidade, transformando-se, de antemão, em benefícios para a economia da capital no pós-Copa. Outras capitais como Ceará (Fortaleza) e Curitiba (Paraná) também preparam-se para colher frutos muito mais suculentos que os nossos.

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