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terça-feira, 13 de novembro de 2012

RMS perde mais de 1 bilhão de litros de água por ano em vazamentos e ligações clandestinas


A Bahia tem reduzido seus índices, mas não tem motivo para comemorar: Salvador perde quase metade da água distribuída


Wladmir Pinheiro
wladmir.lima@redebahia.com.br

Em terra seca, quem tem cacimba de água carrega cada gota como ouro. Não no Nordeste. Por essas bandas, onde já se acostumou a incluir períodos de secas no calendário, a economia de água não é definitivamente algo a se orgulhar. Bem abaixo do chão, constantemente árido, o prejuízo escorre entre quilômetros de tubulação que deveriam garantir o abastecimento de 53 milhões de pessoas.



A cada 100 litros de água retirados do subsolo nordestino, 50,8 litros se perdem em vazamentos e ligações ilegais antes mesmo de chegar às casas. O índice é o segundo pior entre as regiões do país, atrás apenas da bem cortada por rios região Norte, que tem um índice médio de perdas de água de 51,2% - mas que pode chegar a 77%, na cidade do Amapá.

O levantamento, feito entre todas as distribuidoras de água em 2010 pela Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, do Ministério das Cidades, mostra que nesse ranking do mau uso no Nordeste, apenas o Ceará tem perdas menores do que a Bahia - o vilão nordestino é Pernambuco, com 65,9%.

O estado cearense perde 32,7% de toda a água, enquanto a Bahia joga fora 37,1% daquilo que extrai dos lençóis freáticos e aquíferos. É aí que Salvador se mostra como vilã. A capital baiana tem um índice de perdas de 47,3%, bem acima do índice nacional avaliado em 38,8%. O número, porém, revela uma queda em relação a 2009, quando o índice de perda era de 49,2%.

Prejuízo
Segundo o coordenador do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis), do Ministério das Cidades, Ernani Ciríaco de Miranda, o índice nacional é altíssimo e está longe da meta ideal, de 25%. “Apesar de diminuir, esse número ainda é muito alto. Se a média no país é de 38,8%, Salvador acaba sendo responsável por puxar esse índice pra cima”, diz.

Esse volume de perda no país representa, em média, um prejuízo de R$ 7,2 bilhões por ano, segundo cálculo feito pelo Snis em 2008. A capital baiana tem índice de perda maior do que cidades como Fortaleza (16,8%) e Campina Grande (32,5%), mas ainda menor do que Recife (56,7%) e Rio de Janeiro (55,7%).

Conquista Na Bahia, quem tem melhor desempenho entre as 100 maiores cidades do país é Vitória da Conquista. A cidade do sudoeste do estado reduziu o índice de 2009, quando a perda era de 16,5%, para 12,4%, em 2010. As piores perdas foram detectadas nos municípios de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, com perdas de 69,79%, e Caucaia, no Ceará, com 69,63%. Apenas o Distrito Federal estava na faixa de perda na distribuição menor que 30%, segundo o estudo. Nos piores extremos, com perdas entre 50,1% e 70%, estão os estados de Alagoas, Piauí, Rondônia, Roraima, Amazonas, Rio Grande do Norte, Sergipe, Acre, Maranhão e Pernambuco. A pior situação está no Amapá, com 77,3% de perda.

Tarifa
mais cara O especialista em Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas Claudio Ritti Itaborahy afirma que o Brasil tem de aperfeiçoar o sistema de distribuição de água à população. Segundo o analista, operações malfeitas e problemas no sistema de distribuição podem gerar perdas muito grandes. “Entre 10% e 20% do que é extraído do subsolo acaba se perdendo por conta de vazamentos. Perdas são comuns na distribuição, mesmo em países muito desenvolvidos. Porém, cidades com rede melhor gerenciada têm perdas menores”, afirma.

O superintendente de Abastecimento de Água de Salvador e Região Metropolitana, José Moreira Filho, porém, aponta as ligações clandestinas como principais responsáveis pelo rombo de R$ 9,5 milhões anuais que a Embasa, distribuidora na Bahia, tem em função das perdas de água. Ou seja, toda a riqueza produzida em Feira de Santana e Vitória da Conquista, que têm juntas o Produto Interno Bruto (PIB) no mesmo valor.

“Segundo estimativa, que infelizmente está longe de ser o número exato, há perda de 1,3 bilhão de litros de água por conta de ligações ilegais”, afirma. Esse volume equivale a 12 Diques do Tororó desperdiçados por ano. Os gatos de água seriam culpados até pelo valor elevado da tarifa.

O especialista explica que, se não fossem as ligações ilegais, menos água seria bombeada pelas tubulações e Salvador não precisaria de tanta água. “Seria menos energia elétrica necessária para trazer essa água da Pedra do Cavalo, ou do reservatório do rio Joanes. Por não pagar nada por essa água, gasta-se aos montes”, diz.

Alterar a dinâmica da cidade é ainda outro motivo, segundo o superintendente da Embasa, para as perdas. “Imagine a dificuldade de consertar vazamento em rede antiga de distribuição como a que corta a Avenida Sete, ou a rua Carlos Gomes,  ou então  penetrar em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas para consertar vazamentos e fiscalizar ligações clandestinas. É muito difícil. Às vezes, precisamos contar com segurança para chegar até esses lugares”, conclui. 

Consumo
Apesar da grande quantidade de água na Terra, apenas 2,5% dela é doce. Mas não adianta ir com tanta sede ao pote. Deste número já reduzido, apenas 0,26% está disponível em lagos, reservatórios e bacias hidrográficas. Isso significa dizer que apenas 0,0065% da água na Terra é água doce disponível, alarma, mas não sem razão, o Instituto Akatu. O resto é sal.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma pessoa precisa de aproximadamente 110 litros de água por dia para higiene pessoal e consumo geral, como beber água, cozinhar. Nesses números, a Bahia passa abaixo da média nacional, de 159 litros. O consumo entre os baianos é, em média, 120,3 litros por dia, acima da média do Nordeste, que é de 117,3. Só para comparar, o consumo em São Paulo é de 184,7 litros por dia.

Morador de apartamento gasta mais água do que de casa
Alguns fatores  tornam o desperdício de água ainda maior. Se já há perda antes mesmo de se ter acesso à água, escolher onde morar, em casa ou em apartamento, é um deles. Os moradores de apartamentos gastam em média mais água do que aqueles que moram em casas. O motivo é a falta de percepção. Como na maioria dos edifícios a conta de água é rateada entre todos os moradores, paga-se uma média do consumo total. Assim, eles não veem a cobrança ao final do mês e não se sentem estimulados a economizar ao julgar que os outros também não o fazem.

Assim, são desperdiçados litros de água: um banho sem fechar a torneira desperdiça 144 litros de água, enquanto uma torneira pingando sem parar são outros 46 litros, por exemplo. “É comum quando se instala um medidor individual nos apartamentos o sujeito tome um susto, porque ele não tinha ideia do tanto que consumia”, diz o superintendente de Abastecimento de Água de Salvador e Região Metropolitana, José Moreira Filho.



FONTE: http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-1/artigo/rms-perde-mais-de-1-bilhao-de-litros-de-agua-por-ano-em-vazamentos/

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